1/27/2010

Luciene tem uma tatuagem


Luciene tem uma tatuagem, algo a ser visto...

1/18/2010

Luciene também é Pessoa


Contemplo o que não vejo

Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.

Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.

Fernando Pessoa

1/15/2010

Luciene e a boa música


Corsário
Elis Regina
Composição: João Bosco / Aldir Blanc

Meu coração tropical está coberto de neve,
mas ferve em seu cofre gelado,
a voz vibra e a mão escreve mar
bendita lâmina grave que fere a parede e traz
as febres loucas e breves que mancham o silêncio e o cais.

Roseirais, nova Granada de Espanha,
por você eu, teu corsário preso,
vou partir a geleira azul da solidão e buscar a mão do mar
me arrastar até o mar, procurar o mar.

Mesmo que eu mande em garrafas mensagens por todo o mar
meu coração tropical partirá esse gelo e irá
como as garrafas de náufrago e as rosas partindo o ar
nova Granada de Espanha e as rosas partindo o ar.

Me lembrei de Luciene


Mistérios

Composição: Maurício Maestro - Joyce

Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito
De se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender
Os mistérios do fogo
Prá te incendiar
Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito
De atravessar
Preciso um navio
Prá me levar
Preciso aprender
Os mistérios do rio
Prá te navegar
Vida breve
Natureza
Quem mandou, coração
Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito
De segurar
A vida passou prá me carregar
Preciso aprender
Os mistérios do mundo
Prá te ensinar
Preciso aprender
Os mistérios do mundo
Prá te ensinar

1/01/2010

Luciene tem muito de Leila


Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar.


Leila Diniz

Do livro: "Leila Diniz", Editora Brasiliense, 1983, SP

Fonte: Pirão sem Dono

Luciene e um poema de Vinicius



Ausência



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.




Vinicius de Moraes. ANTOLOGIA POÉTICA

12/28/2009


"...quero ficar no teu corpo
feito tatuagem
que é prá te dar coragem
pra seguir viagem
quando a noite vem..."
Fragmento de "Tatuagem", música e letra de Chico Buarque

12/27/2009


Os Benefícios da Lua

"A lua, que é a própria imagem do capricho, olhou pela janela enquanto dormias em teu berço, e disse consigo, mesma: - "Esta criança me agrada."
E desceu maciamente a sua escada de nuvens, e deslizou sem ruído através das vidraças. E pousou sobre ti com um suave carinho de mãe, e depôs as suas cores em tuas faces. Então, tuas pupilas se tornaram verdes, e tuas faces extraordinariamente pálidas. Foi contemplando essa visitante que os teus olhos se dilataram de modo tão estranho; e ela com tão viva ternura te apertou a garganta que ficaste, para sempre, com o desejo de chorar.
Entretanto, na expansão da sua alegria, a lua invadia todo o quarto, como uma atmosfera fosfórica, como um peixe luminoso; e toda esta luz viva pensava e dizia:
- Tu sofrerás eternamente a influência do meu beijo.
Serás bela à minha maneira. Amarás o que eu amo e o que me ama: a água, as nuvens, o silêncio e a noite; o mar imenso e verde; a água informe e multiforme; o lugar onde não estiveres; o amante que não conheceres; as flores monstruosas; os perfumes que fazem delirar; os gatos que desmaiam sobre os pianos e gemem que nem as mulheres, com uma doce voz enrouquecida!
E tu serás amada pelos meus amantes, cortejada pelos meus cortejadores. Serás a rainha dos homens de olhos verdes a quem também estreitei a garganta em minhas carícias noturnas; daqueles que amam o mar, o mar imenso, tumultuoso e verde, a água informe e multiforme, o lugar onde não estão, a mulher que não conhecem, as flores sinistras que sugerem incensórios de alguma religião ignota, os perfumes que turbam a vontade, e os animais selvagens e voluptuosos que são os emblemas da sua loucura.
E é por isso, maldita e querida criança mimada, que estou agora prosternado a teus pés, buscando em toda a tua pessoa o reflexo da terrível Divindade, da fatídica madrinha, da ama-de-leite envenenadora de todos os lunáticos."
Charles Baudelaire

12/26/2009


...Abri mão de muitas coisas na minha vida,
E mesmo com o sofrimento da Mudança
Hoje posso dizer, obrigado, para eu mesma,
Por ser quem realmente sou...

Últimos quatro versos de um poema de Luciene

12/25/2009


Volta Luciene

Luciene partiu.
Luciene foi embora.
Luciene viajou.
Luciene não está mais aqui.
Luciene se ausentou.
Luciene escafedeu-se.
Luciene deu no pé.
Luciene está longe.
Luciene foi prá Jova Yorque.

Volta Luciene.

4/21/2008

Luciene e sua indiferença.


Esse blog é um livro que vou escrevendo.
O personagem principal se chama Luciene.
Está viva, canta, encanta e me espanta.
Até hoje não leu nenhuma postagem.
Então...até que tal indiferença seja erradicada,
não mais continuarei com o livro.

4/17/2008

Luciene e Maria Rita




Tá Perdoado


Maria Rita


Composição: Arlindo Cruz / Franco


Defumei o corredor
Perfumei o elevador
Prá tirar de vez o mal olhado
A saudade me esquentou
Consertei o ventilador
Pro teu corpo não ficar suado
Nessa onda de calor
Eu até peguei uma cor
Tô com o corpo todo bronzeado...
Seja do jeito que for
Eu te juro meu amor
Se quiser voltar
Tá Perdoado!...
Fui a pé a Salvador
De joelho ao Redentor
Prá ver nosso amor abençoado
Nosso lar se enfeitou
A esperança germinou
Ah! Tem muita flor
Prá todo lado
Prá curar a minha dor
Procurei um bom doutor
Me mandou beijar
Teu beijo mais molhado...
Seja do jeito que for
Eu te juro meu amor
Se quiser voltar
Tá Perdoado!...
E se voltar te dou café
Preliminar com cafuné
Prá deixar teu dia mais gostoso
Pode almoçar o que quiser
E repetir, te dou colher
Faz aquele jeito carinhoso
Deixa pintar o entardecer
E o sol brincar de se esconder
Tarde e chuva eu fico mais fogosa
E vá ficando pro jantar
Tu vai ver só, pode esperar
Que a noite será maravilhosa
Yeh! Yeh! Yeh!...

Luciene e suas viagens

Lá vai Luciene...
A imaginar golfinhos alados
passeando ao redor de sua nave espacial.
Devaneios...
devaneios.

4/16/2008

Luciene e o Dragão


Eu bem que te avisei que
"Os Caras" são foda!
Olha o tamanho do bichinho
que você vai ter que enfrentar.
Depois te dou uma mão.
(Ou será um Pé?).

4/15/2008

Luciene e Fernando Pessoa

A VÉSPERA DE NÃO PARTIR NUNCA

Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,
Para o partir ainda livre do dia seguinte.
Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego!
Grande tranqüilidade a que nem sabe encolher ombros
Por isto tudo, ter pensado o tudo
É o ter chegado deliberadamente a nada.
Grande alegria de não ter precisão de ser alegre,
Como uma oportunidade virada do avesso.
Há quantas vezes vivo
A vida vegetativa do pensamento!
Todos os dias sine linea
Sossego, sim, sossego...
Grande tranqüilidade...
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!
Que prazer olhar para as malas fítando como para nada!
Dorme, alma, dorme!
Aproveita, dorme!
Dorme!
É pouco o tempo que tens!
Dorme!
É a véspera de não partir nunca!